O conceito de ESG (Environmental, Social, and Governance) tem ganhado destaque global nos últimos anos, tornando-se um pilar fundamental para a gestão responsável de empresas e setores econômicos.
Confira o artigo de Wanderson Borges
No contexto do turismo, a aplicação dos princípios ESG não é apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente para garantir a sustentabilidade do setor e a preservação dos destinos turísticos para as gerações futuras. Este artigo explora a interseção entre ESG e turismo, destacando a importância de práticas ambientais, sociais e de governança para o desenvolvimento de um turismo mais sustentável e responsável.
O Impacto Ambiental do Turismo e a Responsabilidade ESG
O turismo é uma das indústrias mais dinâmicas e impactantes do mundo, contribuindo significativamente para o PIB global e gerando milhões de empregos. No entanto, seu crescimento desenfreado pode levar a consequências ambientais graves, como a degradação de ecossistemas, a poluição de praias e oceanos, o aumento das emissões de carbono e a perda de biodiversidade. Aqui, o pilar ambiental do ESG desempenha um papel crucial.
Empresas do setor turístico estão cada vez mais adotando práticas sustentáveis para minimizar seu impacto ambiental. Hotéis e resorts, por exemplo, estão implementando sistemas de gestão de resíduos, reduzindo o consumo de água e energia, e utilizando fontes de energia renovável. Além disso, muitas empresas estão investindo em certificações ambientais, como o selo Good Travel Seal by Green Destination, que atesta o compromisso com a sustentabilidade. Ações como essas não apenas ajudam a preservar o meio ambiente, mas também atraem turistas conscientes, que valorizam destinos e serviços alinhados com práticas ecológicas.
O Pilar Social: Inclusão e Benefício para as Comunidades Locais
O turismo tem o poder de transformar comunidades, gerando empregos e promovendo o desenvolvimento econômico. No entanto, quando mal gerido, pode levar à exploração de trabalhadores, à gentrificação e à perda de identidade cultural. O pilar social do ESG busca garantir que o turismo seja inclusivo e beneficie as comunidades locais de forma equitativa.
Empresas do setor estão adotando práticas como a contratação de mão de obra local, o respeito aos direitos trabalhistas e o apoio a iniciativas comunitárias. Além disso, o turismo comunitário tem ganhado força, permitindo que os visitantes vivenciem a cultura local de forma autêntica, enquanto os recursos financeiros são direcionados para o desenvolvimento das comunidades. Essa abordagem não apenas fortalece os laços entre turistas e residentes, mas também promove a preservação das tradições culturais.
Outro aspecto importante é a acessibilidade. O turismo deve ser inclusivo, garantindo que pessoas com deficiência, idosos e outros grupos marginalizados possam desfrutar de experiências turísticas sem barreiras. Empresas que investem em infraestrutura acessível e treinamento de equipe para atender a todas as necessidades demonstram um compromisso genuíno com o pilar social do ESG.
Governança: Transparência e Ética no Setor Turístico
A governança corporativa é um elemento essencial do ESG, garantindo que as empresas operem de forma ética, transparente e responsável. No setor turístico, isso significa adotar práticas de gestão que priorizem a integridade, a prestação de contas e o combate à corrupção.
Empresas com boa governança são mais propensas a ganhar a confiança dos consumidores e investidores. Isso inclui a divulgação clara de informações sobre impactos ambientais e sociais, a adoção de políticas anticorrupção e o estabelecimento de canais para denúncias de irregularidades. Além disso, a governança eficaz envolve a participação de stakeholders, como comunidades locais, funcionários e ONGs, na tomada de decisões, garantindo que os interesses de todas as partes sejam considerados.
O Futuro do Turismo com ESG
A integração dos princípios ESG no turismo não é apenas uma questão de responsabilidade, mas também uma estratégia inteligente para o futuro. Empresas que adotam práticas sustentáveis e éticas destacam-se em um mercado competitivo com consumidores mais conscientes e exigentes. Além disso, o alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU reforça o papel do turismo como uma força positiva para o desenvolvimento global.
No entanto, os desafios são significativos. A implementação de práticas ESG requer investimentos, mudanças culturais e colaboração entre setores públicos e privados. Governos, empresas e sociedade civil devem trabalhar juntos para criar políticas e regulamentações que incentivem a adoção de práticas sustentáveis no turismo.
Em conclusão, a convergência entre ESG e turismo representa uma oportunidade única para transformar o setor em um motor de desenvolvimento sustentável. Ao priorizar a proteção ambiental, a inclusão social e a governança ética, o turismo pode não apenas sobreviver, mas prosperar em um mundo cada vez mais consciente de seus limites e responsabilidades. O futuro do turismo depende de nossa capacidade de equilibrar crescimento econômico com sustentabilidade, garantindo que os destinos que amamos hoje continuem a encantar as gerações futuras.

Wanderson Borges é contador com mais de 20 anos de experiência em controladoria, contabilidade e finanças, atuando em empresas de diversos portes e segmentos. É especialista em gestão empresarial, financeira e controladoria com MBA pela FGV/RJ, e tem sólida atuação em liderança de equipes. Professor universitário e cofundador do Movimento Preserve Pipa, (sustentabilidade econômica, social e ambiental) dedica-se também ao turismo sustentável, responsável e regenerativo. Larga experiência em compliance, M&A, TI e normas internacionais como IFRS e SOX e Governança Corporativa.
TEXTO Colaborativo: Wanderson Borges, hoteleiro e especialista em Finanças para o Turismo