Feriados impulsionam nova onda de fraudes digitais e expõem vulnerabilidade do turismo online

AI no Turismo
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Alta demanda, compras por impulso e jornadas fragmentadas transformam feriados em pico para golpes no setor

O avanço da digitalização no turismo ampliou a conveniência e acelerou a tomada de decisão dos consumidores. Ao mesmo tempo, o aumento da procura por passagens e hospedagens vem sendo acompanhado por uma nova onda de fraudes digitais no setor.

Entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, foram registradas quase 56 mil ocorrências de uso indevido de marcas do segmento, segundo levantamento da Branddi, empresa especializada em proteção de marcas no ambiente digital, uma média de mais de 660 tentativas de fraude por dia durante a alta temporada de verão.

Com a aproximação do Dia das Mães, especialistas alertam para uma combinação crítica entre aumento da demanda, decisões rápidas de compra e menor atenção aos sinais de risco, cenário que favorece a atuação de criminosos digitais.

A maior parte dessas fraudes acontece por meio de anúncios falsos, links patrocinados e páginas clonadas que simulam sites oficiais de companhias aéreas, agências de viagem, hotéis e plataformas de reserva. Em muitos casos, o consumidor é impactado por ofertas com forte apelo promocional, senso de urgência e preços muito abaixo da média de mercado.

No entanto, o desafio não está na compra online em si, mas em jornadas fragmentadas, baseadas em múltiplos redirecionamentos entre buscadores, anúncios e sites externos, que podem aumentar a exposição a golpes.

Cenário pede cuidados

Diante desse cenário, o mercado começa a testar jornadas de compra end-to-end em ambientes controlados, nas quais toda a experiência, da busca ao pagamento, acontece dentro de um ecossistema digital verificado. A proposta é manter o consumidor em um canal já conhecido e confiável, eliminando a necessidade de cliques em links externos, hoje um dos principais vetores de fraude.

“Reduzir etapas e manter a jornada em um ambiente digital único não é apenas uma questão de experiência do usuário, mas de mitigação de risco operacional. Em períodos de pico, como feriados, a pressa do consumidor é o maior ativo do fraudador. O ambiente fechado ajuda a reduzir essa brecha”, afirma Victor Coutinho, CEO do Buszap.

Essa mudança de paradigma encontra solo fértil no Brasil, onde o comércio conversacional já é uma realidade consolidada. Segundo pesquisa da Opinion Box, 97% dos brasileiros utilizam o WhatsApp diariamente, e 60% já realizam transações comerciais diretamente em aplicativos de mensagem.

“Muitas pessoas não percebem, mas ao escanear um QR Code você está acessando um link, que pode redirecionar para páginas maliciosas. Por isso, é importante verificar a origem antes de interagir e, sempre que possível, acessar serviços por canais oficiais ou aplicativos já conhecidos, reduzindo o risco de redirecionamentos fraudulentos”, completa Pedro Tavares, head de produtos da CertiFace.

Além do prejuízo direto ao consumidor, a escalada das fraudes também eleva custos para as empresas do setor, com impactos em chargeback, atendimento, proteção de marca e reputação digital em momentos estratégicos de vendas.

Para especialistas, o cenário revela uma transformação estrutural no mercado: à medida que o turismo acelera sua digitalização, cresce também a demanda por modelos de compra mais resilientes, integrados e seguros — especialmente em datas sazonais como feriados prolongados.

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