A atriz potiguar Tânia Maria foi escolhida como melhor atriz coadjuvante pela Associação de Críticos de Santiago, no Chile, por sua atuação no filme “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. No longa, a artista interpreta Dona Sebastiana, personagem que exerce papel decisivo no suporte ao protagonista vivido por Wagner Moura.
Além do reconhecimento individual, a produção brasileira também foi premiada em outras categorias pelo júri chileno, incluindo melhor roteiro, assinado por Kleber Mendonça Filho, e melhor ator, para Wagner Moura, ampliando a visibilidade internacional do cinema produzido no Nordeste.
Ambientado no Recife, o filme apresenta Dona Sebastiana como uma figura de acolhimento e proteção, responsável por oferecer abrigo a personagens que precisam permanecer fora do alcance das autoridades em um contexto marcado por tensões políticas e sociais. A atuação de Tânia se destaca pela naturalidade e força dramática, características que têm marcado sua presença nas telas.
Para interpretar a personagem, a atriz passou por um processo intenso de preparação, com estudo de textos organizados em diferentes materiais de apoio e longas horas de ensaio. Segundo familiares, a espontaneidade e a capacidade de improvisação sempre foram marcas de sua personalidade, o que contribuiu para a construção da personagem de forma orgânica e convincente.
Natural do distrito de Cobra, no município de Parelhas, no interior do Rio Grande do Norte, Tânia Maria iniciou sua carreira artística de forma tardia, apenas aos 72 anos, sem formação formal em teatro ou cinema. Até então, levava uma vida simples e distante dos circuitos culturais, sem sequer imaginar que viria a integrar elencos de grandes produções nacionais.
Apesar de ser considerada hoje uma das revelações do cinema nordestino, Tânia mantém um discurso simples e direto sobre sua relação com a fama. Em entrevistas, afirma que seu maior desejo é continuar atuando, priorizando o prazer de estar em cena, sem buscar exposição midiática.
Antes de “O Agente Secreto”, a atriz já havia participado de outras produções importantes, como “Bacurau”, que ganhou projeção internacional, além dos filmes “Seu Cavalcanti”, “O Delegado”, “Yellow Cake” e “Almeidinha”, totalizando seis longas-metragens em sua trajetória até o momento. Os papéis, em geral, valorizam personagens populares e fortes, conectados à realidade social do Nordeste.
O reconhecimento no exterior reforça não apenas o talento individual de Tânia Maria, mas também a força do cinema produzido na região Nordeste, que segue conquistando espaço em festivais, premiações e no circuito internacional, com narrativas que dialogam diretamente com a cultura, a memória e as contradições sociais do país.
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