Foram realizadas 2.000 entrevistas, em 130 municípios brasileiros entre os dias 9 e 13 de setembro de 2026
A nova edição do Indice de Conservadorismo de Costumes da Ipsos-Ipec mostra que o conservadorismo relacionado às pautas de costumes e valores morais no país volta a ganhar força em 2026, após leve recuo registrado no ano passado. A pesquisa considera o posicionamento da população sobre temas como legalização do aborto, pena de morte, redução da maioridade penal, casamento entre homossexuais e prisão perpétua para crimes hediondos.
O indicador atinge a marca de 0,680 em uma escala que varia de 0 (totalmente progressista) a 1 (totalmente conservador). O resultado representa um avanço em relação a 2025, quando o indicador registrou 0,652, e aproxima-se dos patamares observados em 2016 (0,686) e 2018 (0,689), os mais elevados da série histórica.
A pesquisa aponta que a proporção de brasileiros que se encaixa no grupo de “alto” grau de conservadorismo em costumes cresce 6 pontos percentuais entre 2025 e 2026, passando de 49% para 55%. Ainda, 38% estão no grupo “médio” (eram 44%) e 7% no grupo de “baixo” grau de conservadorismo (eram 8%).
O avanço é acompanhado pelo crescimento do apoio à pena de morte, à prisão perpétua e à redução da maioridade penal, enquanto o apoio ao casamento entre homossexuais e ao aborto permanecem em patamar semelhante ao observado no levantamento anterior.
Cenário de 2026: aumento do apoio popular às pautas de segurança
As pautas relacionadas à segurança pública continuam concentrando os maiores níveis de apoio entre os brasileiros e apresentam crescimento em relação ao levantamento anterior. Em 2026, registram os seguintes resultados:
- Prisão perpétua para crimes hediondos: 78% a favor (crescimento de 6 pontos)
- Redução da maioridade penal: 71% a favor (crescimento de 6 pontos)
- Pena de morte: 52% a favor (crescimento de 9 pontos)
Entre todas as pautas pesquisadas, a pena de morte registra uma das mudanças de opinião mais significativas em relação ao estudo anterior. Se em 2025 predominava a rejeição à medida, com 49% dos brasileiros contrários e 43% favoráveis, em 2026 o quadro se inverte. O apoio à proposta cresce e passa a ser majoritário, atingindo 52%, enquanto a parcela contrária recua para 40%. Trata-se do maior nível de favorabilidade à pena de morte registrado em toda a série histórica do estudo.
No caso do casamento entre homossexuais, os resultados indicam relativa estabilidade em comparação com 2025. O apoio à medida passa de 38% para 41%, enquanto a oposição recua de 47% para, também, 41%. Apesar dessa aproximação entre as posições, os níveis de favorabilidade permanecem abaixo daqueles registrados entre 2021 e 2023, período em que alcançaram 44%.
Por outro lado, a pauta da legalização do aborto permanece com baixa adesão. Em 2026, 17% dos brasileiros se declaram favoráveis à medida e 74% contrários, resultados que mantêm o cenário praticamente inalterado em relação aos últimos levantamentos.
Os grupos que impulsionam a alta do conservadorismo
Embora o índice apresente crescimento em quase todos os segmentos sociodemográficos, a intensidade desse avanço varia entre os diferentes estratos da população. A região Sudeste é a única a registrar recuo, passando de 0,669 para 0,659. Entre os demais grupos, alguns se destacam por apresentar aumentos mais significativos em comparação a 2025:
- Brasileiros de 25 a 34 anos: registram a maior alta entre as faixas etárias, de 0,643 em 2025 para 0,696 em 2026 (variação de +0,053).
- Moradores das regiões Norte/Centro-Oeste: apresentam o maior avanço regional e a maior variação entre todos os segmentos analisados na pesquisa, com o índice indo de 0,643 para 0,710 (+0,067).
- Mulheres: após figurarem entre os segmentos que mais contribuíram para a redução do índice em 2025, registram aumento em 2026, passando de 0,619 para 0,650 (+0,031).
- Pessoas com renda familiar superior a 5 salários mínimos: é o estrato de renda que mais varia entre 2025 e 2026: 0,665 para 0,708 (+0,043), alcançando o patamar mais elevados da série.
- Moradores das capitais: apresentam uma das maiores variações observadas entre os perfis de município, aumenta de 0,637 para 0,685 (+0,048).
Sobre a Pesquisa
O Índice de Conservadorismo em Costumes é uma iniciativa da Ipsos-Ipec. Trata-se de um estudo quantitativo realizado a partir de entrevistas pessoais e domiciliares, que tem como objetivo analisar os resultados de alguns levantamentos pautados em temas que implicam no posicionamento valores pessoais sobre determinados assuntos. Então, é feito um exercício que tem por premissa inicial classificar a população brasileira dentro de um espectro que compreenda a variação da concordância desses referidos temas, no qual as respostas definem se os entrevistados apresentam um perfil mais progressista ou mais conservador em relação a costumes e valores.
Foram realizadas 2.000 entrevistas, em 130 municípios brasileiros entre os dias 9 e 13 de setembro de 2026. A amostra foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2024, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
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