RN alerta para peixes que devem ser evitados após aumento dos casos de ciguatera; saiba quais são

Secretaria de Saúde reforça que a maioria dos pescados continua segura e pede apoio à cadeia produtiva da pesca

Após o aumento dos casos de intoxicação por ciguatera registrados no Rio Grande do Norte, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) intensificou as orientações à população sobre o consumo de pescados. Em vídeo divulgado nesta semana, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, listou as espécies que devem ser evitadas neste momento por estarem associadas aos casos confirmados da doença no estado.

Segundo a Sesap, a recomendação é não consumir as seguintes espécies:

  • Arabaiana
  • Bicuda (Barracuda)
  • Cioba
  • Dourado
  • Galo-do-alto
  • Pargo preto
  • Pescada branca
  • Robalo
  • Sirigado (Badejo)

Essas espécies foram identificadas em investigações epidemiológicas relacionadas aos casos de intoxicação registrados no Rio Grande do Norte.

Arabaiana foto @pescaabençoada

Demais peixes continuam liberados para consumo

Apesar do alerta, a Sesap faz questão de destacar que não há recomendação para evitar o consumo de peixes de forma geral.

O secretário Alexandre Motta ressaltou que todas as demais espécies continuam sendo consideradas seguras e que a população deve continuar consumindo pescado de procedência confiável, preservando uma atividade econômica fundamental para milhares de famílias potiguares.

“É uma cadeia produtiva importante para os pescadores, que precisa ser mantida”, afirmou o secretário.

Entre as espécies consideradas de menor risco pelas autoridades sanitárias estão:

  • Tilápia
  • Atum
  • Cavalinha
  • Curimatã
  • Arenque
  • Manjuba

O que é a ciguatera?

A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada pela ingestão de peixes contaminados com a ciguatoxina, uma neurotoxina produzida por microalgas marinhas que vivem, principalmente, em recifes de coral.

Os peixes menores ingerem essas microalgas e, ao longo da cadeia alimentar, a toxina se concentra em peixes predadores de maior porte, que acabam sendo consumidos pelas pessoas.

Um dos principais desafios é que a toxina não altera o cheiro, o sabor nem a aparência do peixe, além de permanecer ativa mesmo após o cozimento, congelamento, salga ou defumação. Ou seja, não é possível identificar um pescado contaminado apenas pela aparência ou pela forma de preparo.

Sintomas podem surgir poucas horas após a refeição

Os primeiros sintomas geralmente aparecem entre 30 minutos e 24 horas, podendo, em alguns casos, demorar até 48 horas.

Os sinais mais comuns incluem:

  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia;
  • Dor abdominal;
  • Formigamento nas mãos, pés e boca;
  • Sensação de inversão térmica (frio parece quente e vice-versa);
  • Fraqueza muscular;
  • Coceira intensa;
  • Queda da pressão arterial;
  • Diminuição dos batimentos cardíacos.

Embora a letalidade seja considerada baixa, alguns pacientes podem apresentar sintomas neurológicos persistentes por semanas ou até meses, o que exige acompanhamento médico.

Casos aumentaram em 2026

Segundo a Sesap, o Rio Grande do Norte contabilizou 148 casos confirmados de ciguatera até junho de 2026, número superior aos 88 registros de todo o ano de 2025.

A secretaria explica, no entanto, que parte desse crescimento está relacionada à inclusão da doença na lista estadual de notificação compulsória, medida que ampliou a identificação e o registro dos casos pelos serviços de saúde. Além disso, o estado intensificou a vigilância epidemiológica e as investigações sobre a circulação da toxina no litoral potiguar.

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O que fazer em caso de suspeita?

A orientação da Secretaria de Saúde é procurar atendimento médico imediatamente caso surjam sintomas após o consumo de pescado.

Se possível, o consumidor deve informar qual espécie foi ingerida e preservar eventuais sobras do alimento para auxiliar a investigação da Vigilância Sanitária. Também é recomendado evitar bebidas alcoólicas durante o período de recuperação, pois elas podem intensificar os sintomas neurológicos.

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